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Manuel Melo é a voz por trás do programa Sinfonias de Aço que, há já 16 anos, divulga a música independente feita em Portugal. Actualmente a ser transmitido na Rádio Barcelos, o programa começou na Rádio Cávado, a 7 de Novembro de 1992. Nos meados dos anos 90, foi um dos principais impulsionadores da cena musical barcelense. Hoje, desiludido com uma rádio que se “abandalhou” e se tornou “previsível e muito fraca”, Manuel Melo continua a lutar por uma “causa”: não deixar o “velho espírito da rádio e do programa de autor morrer”.

O Sinfonias de Aço começou há 16 anos. Como é que começou este projecto?

O Sinfonias de Aço, com a fórmula actual, começou, efectivamente, há 16 anos e já vai a caminho dos 17. Mas eu já passo música portuguesa em maqueta desde 1986.Tinha uma rádio pirata – no bom tempo das rádios piratas em Barcelos – que era a Rádio Atlântida. Na altura, tinha alguns amigos na Rádio Comercial com acesso a algum material que circulava só mesmo no underground e tinha amigos que colaboravam com o António Sérgio e arranjavam-me esse material. Como tinha esse material, e cá em cima era mesmo o único gajo que tinha isso, aproveitava e passava na rádio. Entretanto, saí dessa rádio, vendi a minha parte. A rádio acabou por ser fechada pelo excelentíssimo senhor Cavaco Silva, com a lei da rádio. Depois, em 1989, abriram as rádios legais e fui convidado para ir para a Rádio Cávado, porque eu, para além da música, fazia desporto e eles queriam-me essencialmente para o desporto. E lá fui fazer desporto e fiz também um programa que, na altura, se chamava Sinfonias de Aço porque misturava um rock mais clássico, metal, stoner, aquele rock mais épico dos anos 70/80, com música clássica.

Cai então por terra a ideia que muitas pessoas têm de que o Sinfonias de Aço é um programa só de metal…

Nem esse Sinfonias de Aço original era um programa de metal. Era um programa que também passava metal, mas era uma fórmula copiada de um DJ da BBC, Alan Freeman, que quando falava metia trechos de música clássica. Esse estilo era copiado, não era nada original. Durou poucos meses, depois acabou. Entretanto saí da Rádio Cávado.Chateei-me com algumas pessoas e voltei passados uns meses, e decidi fazer um programa de música portuguesa independente. O programa tinha uma data para começar, precisamente a 7 de Novembro de 1992, e eu não tinha nome para ele. Um amigo da rádio decidiu abrir o microfone e dizer que íamos ter o regresso do Sinfonias de Aço mas numa fórmula diferente. Ficou. O nome até é giro, mas induz algumas pessoas em erro. Há, de facto, quem julgue que se trate dum programa de metal.

Até quando ficou na Rádio Cávado?

Na Rádio Cávado fiquei até 1999. Houve depois uma chatice com a direcção, que entretanto mudou, e eu vim-me embora porque não tinha ambiente. Passados uns meses, houve a possibilidade de ir para a Rádio Barcelos. Não saí de uma forma muito agradável. Não gostei da atitude deles, porque, isto é um parêntesis, as duas rádios de Barcelos foram ambas informatizadas por mim. Ninguém sabia sequer o que era um mp3 ou o que era um wave, ninguém sabia que os computadores tocavam, nessa altura. Fui eu que tratei de tudo, digamos que fui eu que liderei o processo. Depois houve colegas da área comercial que arranjaram os computadores através de permutas, mas o software, a programação, a edição audio fui eu que introduzi isso tudo nas duas rádios. Depois de ter feito esse trabalho voluntário e gratuito – e depois de os outros colegas saberem o que era uma edição áudio, as diferenças entre as amostragens de mp3, como comprimir wave, as noções básicas de edição digital e de automação de rádio – mesmo assim, eles foram extremamente arrogantes. A ideia que me fica é a do burro que é substituído pelo tractor. O dono do burro ganhou dinheiro com ele para comprar um tractor e depois abandonou-o. Ficou-me essa ideia e é com muita mágoa que digo isto. Depois as coisas foram mais ou menos idênticas na Rádio Barcelos…

A passagem para a Rádio Barcelos foi automática?

Não, foi uns meses depois. Encontrei a Rádio num verdadeiro caos em termos organizativos. Caótica mesmo! Aproveitei para, na parte informática, organizar aquilo melhor um bocadinho. No fundo, criei a arma da qual fui vítima mais tarde. O meu objectivo quando informatizei as rádios era, sobretudo, para a publicidade e a  informação. Não era fazer o que toda a gente faz agora, que não é rádio não é nada, que é pôr o computador a tocar música de manhã à noite. Isso não é nada, é uma palhaçada! O objectivo era as pessoas não  terem que andar de minidiscs e cassetes a meter publicidade. Assim, a publicidade está a passar e o animador ou locutor pode estar concentrado noutras coisas: na música que vai passar, na forma como vai introduzir e como vai comunicar com os ouvintes. Não tem que estar preocupado com a publicidade ou estar a meter trilhas de informações ou jingles. Não tem que fazer de técnico, esse trabalho era o trabalho do computador.

Agora é o computador que faz o trabalho do homem…

Exacto.A rádio deixou de ser um meio quente para passar a ser um meio frio, tipo televisão. Uma coisa completamente impessoal. As pessoas hoje em dia ouvem uma série de rádios, sobretudo ao fim de semana, e não ouvem a voz de uma pessoa.

Na Rádio Barcelos o Sinfonias de Aço trocou de horário algumas vezes, porquê?

O horário que me foi proposto inicialmente era o mesmo do da Rádio Cávado, da uma às três da tarde. Fiquei com esse horário mas, infelizmente, como já disse, encontrei a rádio verdadeiramente caótica em termos de organização. Como eu queria ver como aquilo funcionava primeiro, ofereci-me, durante umas semanas, para meter música completamente a granel, sem ser a temática Sinfonias de Aço, para ver mais ou menos quanto tempo ia ter de publicidade e de notícias… Aquilo era caótico! Havia blocos de publicidade de quinze minutos. Recordo-me, inclusive, que houve um bloco de notícias que deveria ser um flash que teve 25 minutos. Ou seja, de duas horas de programa, a correr bem, ficava com 20 minutos em cada. Uma vez apanhei uma entrevista ao Fernando Reis, presidente da Câmara, sem nenhuma edição. Passaram aquilo tudo de uma ponta a outra. Durou 25 minutos. Disse à directora que podia fazer de madrugada, mas precisava de espaço. Ficou acordado ir para a noite e fiz nove anos entre a meia noite e as três da manhã. Descobri um auditório novo. Perdi quase todo o auditório que tinha de tarde. Descobri um auditório sobretudo de gente que trabalha. Nos primeiros anos vinham muitos músicos.

Mas os músicos aparecerem nas suas sessões já vinha do tempo da Rádio Cávado em que o Sinfonias era um ponto de encontro das bandas antes de irem ensaiar…

Das bandas e não só. Na altura não havia My Space nem internet, e o programa acaba por estar indirectamente ligado ao boom das bandas barcelenses dos anos 90 e ao sucesso que muitas bandas tiveram na altura. Juntava-se ali pessoal do pop, do punk, do metal. Era uma família enorme. Às vezes havia vinte e tal pessoas lá na rádio e ouviam o programa ali em directo. O programa acabou por ser importante, porque essa malta que estava lá a acompanhar o programa em directo acompanhava com imensa atenção. Eram sobretudo músicos e aquela era uma oportunidade que eles tinham de ficar a conhecer grande parte do que se estava a fazer pelo país fora, porque, na altura, não havia internet nem nenhum programa a nível nacional que  divulgasse aquele tipo de som mais independente. O programa era uma fonte de informação muito valiosa. E, ao tempo que eu ia passando músicas, eles iam comentando-as. Era uma espécie de My Space. Era por ali que as bandas conheciam e conseguiam criar pontos de referência. Funcionou para as bandas de Barcelos estarem atentas ao que os outros faziam e definirem o seu próprio rumo. O programa acabou, assim, por também estar a ligado a esse boom, a esse movimento.

Já que fala nesse boom, como vê esse boom dos anos 90 e o movimento actual?

Eu acho que, se calhar, o movimento é mais forte agora que nos anos 90. Nos anos 90, havia três ou quatro bandas que se destacavam. Agora há mais bandas, penso que o movimento, talvez, seja mais forte. O que me parece é que havia outro entusiasmo e outra alegria. Para já, não havia tantas rivalidades entre as bandas. Os Oratory tocavam e o pessoal das outras bandas ia ver. Ou então tocavam os Angelica’s Mercy e toda a gente ia ver. A determinada altura, começou a haver umas boquinhas, começou a haver alguma rivalidade, não sei exactamente porquê… No fundo, aquilo era uma luta por um quintalzinho. Nunca foi nada de grande dimensão. Em termos artísticos, de impacto, de dinâmica, este movimento parece-me mais forte. Agora, gostava de ver o pessoal mais alegre. Antes, acho que as pessoas se divertiam mais nos concertos, o pessoal divertia-se à brava, agora parece tudo muito cinzento.

Será apenas em Barcelos ou será geral?

Se calhar é geral, porque aprecio isso noutros locais. Agora o pessoal vai a um concerto e parece que está no cinema ou no teatro…

Nunca tendo feito da rádio profissão a tempo inteiro, continua a ser a paixão pela rádio a movê-lo?

Neste momento, a minha paixão pela rádio já não é uma coisa muito evidente, por culpa da própria rádio. A rádio abandalhou-se. É demasiado previsível, muito fraca.  Perdeu toda a emoção. Ouve-se a Antena 3 de manhã à noite  e aquilo não é nada. Os tipos são fracos. Não têm cuidado nenhum com a respiração nem com a colocação de voz, e já não falo da música que metem, pois podiam ser muito mais ecléticos, mas dizem coisas triviais, infantis, que não têm piada nenhuma. Não é a mesma escola de rádio que eu aprendi e que eu venerei em determinada altura.

Como nasceu a vontade de querer fazer rádio?

A minha ligação à rádio já tem mais de 30 anos. Eu, antes de gostar de rádio, gostava de desporto. Agora já não ligo muito, principalmente a desporto de alta competição, mas quando era puto gostava muito, nomeadamente, de futebol e Fórmula 1. E agora, se quiseres saber como ficou o Manchester United em Inglaterra, é fácil, vais à internet, vês e tens ali o resultado em directo. Eu socorria-me das ondas curtas, porque era radioescuta e explorava noites a fio o espectro todo das ondas curtas. Em 1980, num campeonato do mundo de hóquei em patins, no Chile, lembro-me, perfeitamente, de ter acompanhado um jogo entre Portugal e Argentina. A Argentina era campeã do mundo nessa altura e Portugal ganhou 8-2. Eu soube do resultado, desliguei a onda curta e passei para a Antena 1 que esteve mais de uma hora a aguardar o resultado do jogo. Como eu ouvia muitas coisas deixei de ligar só a desporto. Comecei a interessar-me por música e a paixão  começou pela world music. O que me fascinava era que eu ouvia, quase todos os dias, uma rádio de Nova Orleães e sabia como as ondas cá chegavam. A emissão era disparada para o céu, as ondas reflectiam na ionosfera, caíam no Oceano Atlântico, subiam outra vez à ionosfera e caíam no continente europeu. E eu estava ali com o meu rádio cheio de ruído a ouvir aquela música. Ainda agora me fascina. Ouvia aquilo atentamente e a paixão começou a despertar. Ouvia muito a BBC e ia ouvindo sempre coisas novas na música.

Com o avanço das tecnologias e com o mp3 e a internet acha que se perdeu o espírito que antes havia em torno da música?

O pessoal ouve música mas não desfruta tanto como desfrutava antes.  Agora é fácil aceder a qualquer coisa. Vais à internet, sacas um trabalho e ouves o disco rígido a tocar. Antes saía um álbum qualquer, tu queria-lo, e mesmo que não o comprasses, tinhas que lutar para o ter. Tinhas que conhecer alguém que o tivesse, comprar uma cassete e depois gravá-lo para a cassete, e ouvias até arrebentar a fita porque não havia muita coisa para ouvir. As pessoas agora têm toneladas de música que não ouvem, ou ouvem uma vez e passou. O pessoal agora faz uma primeira, e se calhar única, audição  e, às vezes, para se perceber, para se gostar e se sentir prazer em algum trabalho, tens que ouvir várias vezes. Mas, até do ponto de vista técnico e científico, ouvires um vinil ou até um CD e meia dúzia de ficheiros comprimidos em mp3 não é a mesma coisa . O mp3 retira todas as frequências que o ouvido humano não capta. Mas mesmo que nós não ouçamos, aquilo está lá. O ouvido pode não ouvir, mas o  cérebro interpreta. Há estudos que mostram que o vinil é sentido de maneira diferente do mp3.

Será como a diferença entre ouvir rádio na aparelhagem ou na internet, já que o Sinfonias de Aço também tem um site?

Tenho o Sinfonias na internet e é quase a mesma coisa. Porque tu na internet já sabes o que vais ouvir, porque já tem lá a playlist. Em directo, as pessoas não sabem o que eu vou passar a seguir. Há esse factor de surpresa que a rádio em directo tem e o podcast não. E outra coisa: a rádio que estás a ouvir em directo não podes puxar à frente. Se no podcast não gostas daquela música, passas para a próxima.

Já lá vão 16 anos de Sinfonias, poderemos contar com o Sinfonias durante outros tantos?

Se me deixarem, pelo menos até aos 17 anos vai chegar, depois não sei. Eu, para já, ainda me sinto com vontade de continuar , porque o Sinfonias de Aço é também uma causa. Eu sinto que a malta mais nova ouve muito menos rádio do que eu ouvia quando tinha a idade que eles têm agora, precisamente porque  o pessoal agora não está habituado a esperar. Quer ouvir uma coisa na hora e vai à internet. Perdeu-se a emoção da rádio, perdeu-se a emoção que é teres um tipo a mostrar-te música, a companhia do gajo que sai pelo rádio fora. Por isso, no meu programa também não passo só música, também gosto de meter um bocado de chouriços e gravo sempre todos os meus programas e ouço-os todos antes de os colocar na internet. E isso é uma escola para mim porque, por vezes, apercebo-me que falo demais, torno-me chato e sou redundante. Na semana seguinte vou tentar corrigir, claro que meto as patas noutra coisa… Mas é uma luta pela causa. Não deixar o velho espírito da rádio e do programa de autor morrer. Se o Sinfonias de Aço desaparece não há, neste momento, mais nenhum programa de autor, em Barcelos, nas duas rádios.

Como poderia a rádio ter-se defendido do avanço das novas tecnologias?

A rádio tinha que continuar a ser um meio quente e, cada vez mais, porque, em 1989, quando as rádios locais apareceram legalmente não havia televisão por cabo, pouca gente tinha parabólicas, não havia internet, nem sequer havia canais privados de televisão, ou seja, a concorrência era pequena. A rádio quando começou a levar com concorrência, fugiu para a frente. Hoje é muito mais fácil as pessoas irem à procura de informação. As pessoas já não ficam à espera que a informação vá ter com elas mas vão à procura da informação. Por isso, também há uma diferença entre a rádio que ouves na internet e a que ouves no carro. Quando estou a meter música na rádio tenho consciência de que há malta que nunca me ouviu  mas que tem o rádio sintonizado naquela estação porque ouviu os discos pedidos no dia anterior, e depois pega no carro e leva com uma banda que eu estou a passar. Mas se fores à internet és tu que procuras. Tu é que vais abrir aquela porta e já sabes ao que vais. E as rádios, em vez de se aproximarem mais das pessoas, fazerem cada vez mais directos, no caso das rádios locais, apostarem cada vez mais na informação local, optaram pela forma mais simples que é pôr um computador a tocar música de manhã à noite. Assinou a sua própria sentença de morte. Não me quer parecer que as pessoas estejam muito interessadas em ter um computador a meter música… Pelo menos eu, não!

Entrevista publicada a 29 de Abril de 2009 na edição 391 (série II) do Jornal de Barcelos. Após a publicação da entrevista, Manuel Melo fez um esclarecimento que saiu na edição seguinte e que aqui se reproduz na íntegra.

Esclarecimento:

Na sequência da entrevista por mim concedida ao vosso jornal e publicada na edição nº 391 de 29 de Abril de 2009, entendo agora esclarecer alguns pormenores por forma a não provocar nos leitores eventuais conclusões dúbias.

Com efeito o meu programa “Sinfonias de Aço” esteve na Rádio Barcelos cerca de nove anos nas madrugadas de fim de semana, mas omiti o facto de ele agora estar aos Sábados entre as 12 e as 15 horas. Na verdade, esta deslocação para o horário nobre é uma iniciativa do actual director, David Macedo, a quem publicamente agradeço pelo reconhecimento e simpatia – só não o fiz por imperdoável esquecimento. Contudo, actualmente, o meu envolvimento com o resto da estrutura da rádio é praticamente inexistente, apenas realizando o programa de forma 100€ independente. Acresce dizer que a Rádio Barcelos mudou de mãos e de direcção há algum tempo e já nessa fase eu estava desligado da “equipa”. Na verdade, os escaldansos que levei no passado e refiro na entrevista desligaram em mim o instinto de bombeiro e agora dificilmente tenho vontade de voltar a pegar na enxada. Se quiserem outra figura de estilo, os reflexo de Pavlov não mais funcionam e agora já não será fácil voltar a fazer-me saltar por entre um círculo de fogo – por muita consideração que as pessoas me mereçam.

Para os menos esclarecidos, eu nunca fui profissional de rádio, tendo sido sempre um simples operário fabril. Contudo, este auto-afastamento não me impede de manter com a actual direcção um clima de amizade e proximidade. Estou em crer, aliás, esse sentimento é recíproco, pois até hoje nunca me foi imposto qualquer modelo de realização do programa (que é realizado desde a 1.ª edição em 1992 de forma gratuita) ou restrição à temática por mim explorada. Acresce dizer que mantenho comigo as chaves da rádio e gozo de total liberdade de circulação nas instalações, se bem que actualmente só lá me desloque para realizar o programa [disponho de equipamento próprio de reportagem e produção) ou para cumprimentar os colegas, com os quais mantenho uma relação de amizade, não obstante as diferenças do ponto de vista ideológico que me separam da maioria deles. Acho que, pela minha parte, tão cedo não deixarei de ser um anarquista mais teimoso que um parafuso oxidado, a quem, para isolar, será necessário destruir tudo à volta.

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