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mjv - Cópia

Fotografia por Pedro Rodrigues

Depois de uma sessão de covers de qualidade duvidosa e um strip tease de seios apontados ao céu, estavam criadas as condições para a entrada em palco dos hilariantes cabeças-de-cartaz do 14.º Encontro Motogalos. O humor dos Irmãos Catita, pornográfico e non sense, não atraiu tanto público como seria expectável, mas isso não estragou um espectáculo cómico-musical de se lhe tirar o chapéu… Ou o capacete, neste caso. São músicos exímios. Não é por acaso que o veterano Phil Mendrix é um dos mais míticos guitarristas portugueses. E que dizer de Manuel João Vieira (MJV)? O candidato, o catita, o pintor. Fantástica presença e interacção com a plateia. “Putas de Portugal e do Mundo”, o inevitável “Drogado” e clássicos como “Só Penso em Foder” e “Sexo em Grupo” encheram as medidas do público, que, embora em pouco número, era bem conhecedor do trajecto do grupo. Tanto é que até houve lugar para ‘discos pedidos’, como o “Fado do Barnabé”. No final, o criador de Ena Pá 2000, o pintor, o Candidato Vieira, o Catita, o Orgasmos Carlos, o Lello Universal (alter-egos de MJV), esteve à conversa com os jornalistas e apresentou a sua solução para salvar Portugal da bancarrota: vender a Ilha da Madeira, “com o Alberto João Jardim lá dentro”.

Um concerto no dia 13 de Maio tem um significado especial?

Sem dúvida, sem dúvida. Neste dia em que João Paulo II vai ser canonizado, para mim, é muito importante, porque acho que é o papa que fez toda a diferença na cristandade. E este 13 de Maio é mais importante por causa disso.

Bastantes fiéis consideraram que houve um novo milagre em Fátima, o MJV acredita nisso?

Há quem diga que era uma rapariga da nobreza que andava com um senhor nobre, que não era casado com ela, mas era uma senhora muito bonita e de grande categoria, e foi essa senhora um pouco estranha que os pastorinhos viram. Eu não diria que isso não é verdade, eu diria que ninguém sabe exactamente o que é a verdade. O que eu digo é que quando temos fé no nosso coração, conseguimos imaginar e alucinar, e a coisa mais bonita da fé é a alucinação.

Já teve incursões pela política… Religião e política são alucinações?

A política é o discurso paralelo à realidade, como a telenovela, por exemplo, ou os palhaços do Cardinali Circos. São discursos que acompanham a realidade de uma maneira diferente.

Daí aquelas promessas de estradas de borracha…

Eu não falei nisso, deve ter sido outra pessoa. Percebeu as minhas afirmações fora do contexto. O que eu queria dizer é que hoje era um grande dia porque é o 13 de Maio.

E quanto à entrada do FMI?

O FBI já estava em Portugal há mais de dez anos. Eu já sabia que eles estavam cá há mais de dez anos…

Pode provar isso?

Posso, mas prefiro provar um bom cozido à portuguesa.

 Mas se tivesse que provar o FMI…

O FBI… Essas coisas de estar a ver mortos, peles e DNA, não tenho nada a ver com isso. Neste momento, eles estão a analisar os esqueletos de um país antigo chamado Portugal, mas Portugal ainda tem muito para dar e vender. Temos uma ilha lindíssima, que é das mais bonitas do Mundo, vendemo-la e compramos mais ou menos cinquenta anos de paz. A minha ideia é vendermos a Madeira, com o Alberto João Jardim lá dentro; o problema é que eles não o querem lá dentro, senão já a tínhamos vendido.

Nunca conseguiu ir a votos…

Eu nunca consegui ir a votos, é verdade, mas também nunca governei mal.

Mas governar mal é um bocado difícil quando não se está lá.

Isso já é a sofística e eu gostava de não entrar nessas áreas cinzentas.

Esta festa…

Muito bonita a rapariga da barra. Acho que é isso que faz falta em Portugal, mais alegria, mais mulheres a fazerem exercícios de ginástica.

E na política também?

Sim. Precisamos de mais animadoras culturais, mesmo na Assembleia da República. Precisamos de mulheres desse calibre na vida dos portugueses. O português, muitas vezes, está muito insatisfeito com a sua mulher, mas não existe um apoio à prostituição. Temos que tirar pelo menos 4% do PIB para dar à prostituição e a prostituição tem que ser do Estado.

A incursão pela política é para repetir?

Eu nunca tive um filho da puta de um partido. E enquanto não se tiver um tipo de organização que realmente consiga encontrar assinaturas para que um tipo se torne legítimo… A verdade é esta: o mais importante é a estrutura. Se eu ganhasse o Euromilhões, comprava um partido qualquer… Por dez mil euros já comprava um. Quanto achas que custa o MRPP?

Quando custa um PS ou PSD?

Não tenho dinheiro para essa merda! Estava a pensar num pequenino…

Quais são os maiores defeitos dos portugueses?

É não darem valor a si próprios, gostarem mais de trabalhar noutros países, esforçarem-se mais lá fora do que em Portugal e cuspirem na sua terra. Os portugueses são dos povos mais trabalhadores da Europa, mas têm um problema qualquer em relação ao seu país. Há 40 anos, era um país bonito, olhava-se para as aldeias e eram bonitas; hoje em dia olho para as aldeias e vejo aqueles catálogos de casas de emigrantes e penso que, se calhar, este não é o melhor caminho para Portugal. Mas há uma notícia boa: em 2100, em vez de haver dez milhões de portugueses, vai haver apenas seis milhões. Acho que temos esperança para Portugal.

A sua ironia constante pode levar as pessoas a desacreditá-lo?

Jesus também no seu tempo foi ignorado. Ninguém acreditou nele e ele fez uma grande igreja, que é a igreja católica, que tem, hoje em dia, muitas terras em todo o mundo e montes de dinheiro. Ninguém acreditava em Jesus e ele morreu por um grande bem que é haver o Vaticano e papas, a capela Sistina e essas coisas todas.

Por que é que as músicas de Ena Pá 2000 e Irmãos Catita redundam sempre em sexo?

Não, não, não. São códigos cifrados que querem dizer outra coisa. São mensagens políticas e do livro do julgamento final. Tem tudo a ver com as profecias de Nostradamus.

Que mensagem política? O MJV é de esquerda ou de direita?

Sou de esquerda e de direita.

Estamos numa concentração motard, gosta de motas?

Tive uma Honda 125 CG. Uma altura, meti-a na Torres Tur até Braga e depois, de lá, fui até Chaves com uma namorada e bagagens, sem travões, pela estrada das barragens, e a miúda queimou a perna no escape.

Entrevista publicada na edição 20 (série III) do Jornal de Barcelos no dia 18 de Maio de 2011.

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