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banda musica, aspen

Fotografia por Dario Silva

Começaram com Cosmic Vishnu (CV), em 2007, só o Tiago e o Cristiano. Como se deu essa reunião?

Cristiano Veloso: Aproveitávamos as horas mortas em que os The Glockenwise não ensaiavam e íamos dando uns toques os dois.

Tiago Pereira: Depois pensámos em levar a cena mais a sério e fazermos coisas só nossas. Foi um bocado espontâneo e nem procurámos convidar mais gente. Achávamos que encaixava.

CV: Até porque na altura não tínhamos uma linha definida. Tanto podíamos estar a tocar stoner, como hard rock ou hardcore. Começaram a surgir os riffs, eu encaixava a bateria e as coisas foram-se estruturando, até que gravámos o EP [Colossus Mountain].

A mudança para Aspen dá-se porque vocês mudaram um bocado de estilo.

CV: Começámos a ouvir música diferente, a interessarmo-nos por outros estilos e a estruturar os temas doutra forma.

TP: E esses estilos foram uma ruptura do caralho em relação ao que estávamos a tocar em CV, por isso não fazia sentido manter o nome e tocar outro estilo completamente diferente.

CV: Queríamos dar um espaço diferente a cada um dos projectos e que CV ficasse enquadrado com aquilo que fizemos naquela altura, de maneira a não misturarmos com o que veio a seguir. Com Aspen, a composição passou a ser mais estruturada e calculada, não foi tão natural. Foi tudo transformado. Continuámos com a mesma escola que tínhamos aos 15 anos, mas fomos aprofundando e explorando novos sons.

TP: Por isso é que as pessoas associam Aspen a vários estilos: ambiental, heavy-rock, doom…

Vocês gravaram algumas músicas com o José Arantes, que não chegaram a editar, e também tocaram bastante. Essa rodagem ao vivo ajudou-vos…

TP: A perceber que essa ruptura só com os dois não funcionava muito bem.

CV: Sentíamos algum vazio em palco. Faltava uma baixo, um piano, qualquer coisa que desse mais intensidade à música.

É aí que entra o Vítor. Ele já era vosso amigo, encaixou-se facilmente?

CV: Ele já nos conhecia, sabia o que queríamos fazer e o que ouvíamos, por isso foi um processo natural.

Entretanto, lançaram o Winds of Revenge. Está como queriam?

TP: Todo o processo de realização do EP foi mesmo aquilo que esperávamos e também é o resultado daquilo que vínhamos a trabalhar. Foi um processo de dois anos até chegar a estúdio com as coisas prontas e é este o som que queremos transmitir.

O EP foi lançado pela Lovers & Lollypops (L&L)…

CV: A ideia de editarmos pela L&L já era discutida desde 2010.

TP: Já conhecíamos o Fua há algum tempo. Chegámos a ter propostas doutras editoras, mas nada de que gostássemos muito, porque já tínhamos essa ideia de trabalhar com a L&L.

CV: Além da grande promoção e exposição que a L&L nos dá, há o conforto de estares a entregar a tua música a alguém que sabe o que está a fazer, que realmente sabe o que tu ouves e sabe como gostas de fazer as coisas. Não funciona como uma empresa…

TP: Temos na mesma os nossos compromissos e encaramos a cena duma forma séria, mas já os conhecemos há muito, eles sabem a nossa forma de trabalhar e isso ajuda muito. É bom ter alguém que perceba como funcionas, para tentar tirar o melhor possível de ti. Acho que é isso que a L&L faz connosco.

Objectivos? A edição dum álbum faz parte dos vossos planos?

TP: O objectivo é tocar o mais possível, em todo o lado, e a partir daí começar a pensar nisso.

CV: Para lançarmos o EP estivemos dois anos a tocar, para um álbum temos que ter uma estrutura ainda mais forte. E isso passa por estar mais um, dois, três anos, seja o tempo que for, a rodar e a absorver mais influências. Temos que limar bem as arestas, para quando chegar a altura, o disco sair da melhor maneira.

Cresceram e fazem parte deste ‘boom’ musical que se vive em Barcelos. Como é que vêem a cena local?

CV: Depois de um ano a tocar por vários sítios em Portugal, chegas cá e apercebes-te de que este ‘boom’ é um bocado mascarado. Há muitas bandas, muito talento, mas quantos espaços tens para tocar? Quantas pessoas vês a mexerem-se, realmente, para fazer eventos?

Vítor Oliveira: O que eu me apercebo é que o tipo de público muda bastante. De ano para ano já são gerações diferentes. As pessoas mais velhas não se mantêm e o número de pessoal a ir aos concertos acaba por ser sempre o mesmo.

CV: Nos concertos há cada vez mais gente nova. O pessoal mais velho está saturado. Fica no café a queixar-se de que não há nada, depois há um concerto e não vai.

TP: São as bandas de Barcelos que fazem o ‘boom’ e não Barcelos. São bandas que se estão a cagar se Barcelos tem sítios para tocar ou não e curtem é tocar música.

CV: Mas também não há assim tantas a quererem dar-se a conhecer. Temos muitas bandas, mas a maior parte limita-se a tocar em Barcelos ou Braga, porque não quer arriscar.

TP: Não é não querer arriscar. Não têm condições para se mandarem para fora, porque estão condicionadas: as pessoas trabalham e só podem tocar ao fim-de-semana. Mas não desistem.

CV: Mas à quantidade de bandas que temos – e a maioria tem qualidade -, se todas tivessem a mesma filosofia de se dar a conhecer, o ‘boom’ seria muito maior.

Entrevista publicada na edição #3 do jornal Rock Rola em Barcelos de Abril de 2012.

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