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fotografia (7)Eduardo Moreia Miranda tinha cerca de dez anos quando começou a trabalhar numa pequena mercearia chamada Casa do Forno, em Milhazes. Anos depois, emigrou para França. Numas férias, o antigo patrão convidou-o a tomar conta do negócio. Ele aceitou e rebaptizou-o de café Santa Luzia. Estávamos em 1969. Eduardo faleceu em 1994, com 50 anos, mas o negócio manteve-se na família.

No ano em que fundou a casa, Eduardo casara com Maria José Vilas Boas. Após a sua morte, a mulher continuou a fazer o bacalhau e a servir o vinho lavrador que deram fama ao espaço. Até que uma das filhas, Alexandrina Miranda, casou com João Carlos Torres, em 1996 e, no ano seguinte, passaram eles a ser os timoneiros da ‘tasquinha’, que se passou a chamar Casa do Eduardo. “Era uma homenagem que estava a fazer ao meu pai”, refere Alexandrina. Assim, no novo logótipo, em forma de um azulejo antigo, passaram a figurar as iniciais do nome do falecido: EMM. A mãe, Maria José, continua a ser a cozinheira de serviço. “Nada é resolvido na cozinha sem falar com ela”, aponta João Carlos. É ela quem faz o bacalhau assado na brasa com batata cozida que tanta gente leva a Milhazes. E o bacalhau recheado, o bacalhau frito com legumes, o arroz de cabidela, o arroz de coelho, os rojões à moda do Minho, a carne estufada… Tudo confeccionado de forma tradicional. “Muito caseirinho, como se fosse em casa”, sublinha João Carlos. Uma vocação de família já que a mãe de Maria José também era cozinheira.
As refeições são servidas apenas aos sábados e domingos, a partir das 17h30. “Sempre foi assim, os meus pais sempre tiveram a mercearia e o meu pai vendia material de construção. Quando o meu pai estava em casa, para a minha mãe se dedicar mais à cozinha, era ao fim-de-semana. E ficou sempre assim”, conta Alexandrina. No entanto, há excepções para jantares por encomenda.

QUALIDADE EM QUANTIDADE

Além da qualidade dos pratos, há que salientar a quantidade. “Uma dose dá para quatro pessoas, mas é assim que nó servimos”, frisa Maria José. “Em termos relação preço/qualidade/quantidade é uma boa aposta”, completa o genro. O vinho lavrador é outra marca da casa, mas o consumo tem vindo a diminuir. “Já não há tanta procura. As pessoas viram-se mais para as garrafas de marca, principalmente a juventude, que vem mais pelo convívio. Cada vez há mais gente a beber vinho maduro”, observa João Carlos. Juventude essa que continua a aparecer geração após geração. “Foram os avós, depois os pais e agora os filhos. Já temos situações de três gerações de famílias a virem aqui. Se tudo correr, bem ainda vamos ter os netos”.

A Casa Eduardo tem três espaços distintos. A mercearia, o café e, numa divisão mais recatada, uma arejada sala de jantar, que, nos primórdios, lembra Maria José, “era um coberto de eira”. O espaço foi acompanhando a evolução dos tempos, mas mantendo o traço rústico.

Pena é que já não renda como antigamente. “Fazia-se muito negócio nessa maré. Muito mais. Houve um fim-de-semana em que tinha no avental 120 contos, há trinta e tal anos. Só numa tarde. Mas isto era a gente a dar-lhe forte e feio”, recorda. Agora, os tempos são outros e João Carlos confidencia que apesar de “uma ligeira quebra” por causa da crise, o negócio “continua a correr normalmente”. Alexandrina tem uma explicação para isso: “Se calhar, como só trabalhamos ao fim-de-semana, isso faz com que a gente não note tanto a crise. Nota-se um bocado, mas se se mantiver assim já não é mau”.

A equipa de trabalho da Casa do Eduardo é composta ainda por Jacinta, funcionária da casa há já 15 anos, e por Ana, que desde há quatro anos dá uma ajuda ao fim-de-semana. Mas sendo esta uma tradição de família, Alexandrina e João Carlos não escondem o desejo de ver o seu filho, Sérgio, de dez anos, à frente do negócio, um dia mais tarde. “Ele já mostra vontade, mas ainda é muito cedo para saber o que quer”, conclui o pai.

Reportagem publicada na edição 465 (série II) do Jornal de Barcelos no dia 17 de Novembro de 2010.

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