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vinhanova

Fotografia por Dario Silva

José Costa Gomes, 46 anos, trabalhou grande parte da sua vida na construção civil e esteve muito tempo emigrado em França. Há cerca de dez anos, decidiu voltar à sua terra de origem, Salvador do Campo, onde abriu o café Vinha Nova. Hoje, a casa é conhecida pelo cabrito assado no forno e… pelos concertos de rock.

Aberto em Junho de 2002, durante os primeiros tempos, o Vinha Nova era apenas um café, mas, como José “gostava de fazer uns petiscos”, há quatro anos, ampliou o espaço e criou uma zona que funciona como churrasqueira. Uma simpática divisão com uma decoração simples e atraente, onde são servidas as especialidades da casa.

O cabrito da serra assado no forno é o prato mais afamado, mas há outros que fazem crescer água na boca, caso do cozido à portuguesa, coelho assado no forno, bacalhau assado no forno e da chanfana. Contudo, estas especialidades são confeccionadas apenas por encomenda.

“Não gosto de trabalhar como uma fábrica. Para que a qualidade do cabritinho nunca se perca, tem que ser pedido com dois dias de antecedência”, explica o proprietário, cujo esmero se traduz na satisfação dos clientes. “Já tive muita gente que não gostava de cabrito, começaram a comer em minha casa e hoje gostam”.

Contudo, há outros pratos que não precisam de tanta preparação e são cozinhados na hora, com destaque para a picanha (“há muita gente que procura”), a posta à Vinha Nova, a costelinha e os rojões à moda do Minho. Além dos pedidos à lista, há as diárias ao almoço. De 15 em 15 dias, às quintas-feiras, há cozido à portuguesa. De resto, “não há dias certos” para os diferentes pratos que figuram na ementa.

Apesar de distante do centro da freguesia e afastado da estrada nacional, José conseguiu fidelizar uma “gama de clientes diários” e outros que “ligam” pontualmente para determinados pratos. E por lá passam não só pessoas de Barcelos, como de Braga, Póvoa de Varzim, Esposende e até do estrangeiro. “Tive dois casos de franceses que vieram aqui ter sem conhecer Portugal”.

TRABALHO EM FAMÍLIA

José abriu o estabelecimento com a esposa, Maria Leonor, 47 anos, mãe dos seus três filhos: Armando, Vânia e Stephanie. O mais velho está emigrado, mas as duas raparigas “vão ajudando nos tempos livres”. A completar a equipa há uma funcionária – Sofia – mas não é por isso que o ambiente deixa de ser familiar. E também por essa característica, o espaço fecha todas as terças feiras a partir das 14h00. “Como trabalhamos em família, precisamos de algum descanso”, sublinha José, que baptizou o estabelecimento com o nome do terreno onde este foi construído. “Muita gente julga que isto se chama Vinha Nova por causa das vinhas aqui ao lado, mas não tem nada a ver. Escolhi esse nome porque havia aqui uma residência antiga e o terreno chamava-se Vinha Nova, na altura ainda não existiam as tais vinhas”, esclarece.

“FAZER COISAS DIFERENTES”

Não é só pela comida que o Vinha Nova é conhecido. No palco existente na esplanada, construído aquando da ampliação da churrasqueira, já tocaram várias bandas de rock do concelho e de fora (e até já houve grupos que actuaram dentro do próprio café, quando não havia aquela infra-estrutura). “Achei que se precisava de fazer alguma coisa diferente. A mim interessa-me fazer coisas diferentes”, conta o proprietário.

Os espectáculos são gratuitos e as bebidas “praticamente” ao mesmo preço dos dias normais. “Não foi uma coisa para ganhar dinheiro, mas para as pessoas se divertirem”. Por isso, em 2008, fez um programa de Verão com noites dedicadas quer ao fado, quer aos ritmos brasileiros e até karaoke. “Fiz muitas coisas diferentes, mas o rock é o que tem pessoal que adere mais. Já fiz desfolhadas, para não se perder a tradição – inclusive, oferecia vinho e rosquilhos – e as pessoas não aderiam, enquanto o rock quase sempre atrai algum povo”, avalia.

Seja pela comida ou pelo rock, pedimos a José que nos dissesse como convenceria alguém a ir ao Vinha Nova, mas, sendo ele suspeito, deixa o ‘passa a palavra’ falar por si: “Convencer, não sei se convenço, mas que tenho alguém que convence outro alguém a vir cá, isso tenho”. Ficámos convencidos.

Reportagem publicada na edição 41 (série III) do Jornal de Barcelos no dia 13 de Outubro de 2011.

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