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fotografia (8)Coriolano Passos Vieira teve uma ideia tão incomum quanto o seu primeiro nome: escrever a história do Sport Lisboa e Benfica em verso. “É um sonho antigo. Eu não sou poeta – não sei fazer poesia, poesia é uma coisa mais abstracta – mas sempre senti que tinha jeito para dizer as coisas a rimar”, conta.

O autor de “O Glorioso” nasceu em Braga há 65 anos, mas é em Barcelos que vive e trabalha há mais de quatro décadas. Reside na freguesia de Lama e é proprietário de uma indústria têxtil, em Tamel S. Veríssimo.

A inspiração para este livro surgiu na terra natal, depois de escrever a história do Soarense Sport Clube, também em verso. “Motivou-me para fazer a do Benfica, e arranquei como uma brincadeira, nunca pensando que ia chegar até ao fim”. Coriolano levou três anos para escrever mais de 400 páginas com 2732 sextilhas [estrofes de seis versos] que contam a história do clube lisboeta, desde a sua fundação, em 1904, até ao final da época passada.

Um trabalho custoso que quase levou o escritor a desistir. “Foi até às 350 sextilhas, mas depois senti um bocado de cansaço, porque a parte inicial da história do Benfica é muito confusa e, em termos de investigação, não é fácil. Depois voltei à carga e a obra foi andando. E à medida que ia avançando, mais pena tinha de abandonar”.

O livro foi editado há dois meses, mas sem fotografias, como constava da obra original, devido a cautelas com direitos de autor. Uma editora comprometeu-se a licenciar as ilustrações, mas, por outro lado, obrigava o autor a retirar as tabelas classificativas de todas as competições que o Benfica disputou. “Não abdiquei das classificações, porque não quis fazer um livro só para os benfiquistas lisboetas. Quis fazer um livro para os benfiquistas de todo o país. Se para os benfiqusitas de Lisboa o livro tem interesse porque conta a história do Benfica, para os benfiquistas do resto do país tem um duplo interesse, pois não só conta a história do Benfica, como constam aqui todos os resultados de todos os clubes que militaram na I Divisão e que fizeram história na Taça de Portugal”, aponta.

A obra foi lançada a expensas próprias, porque nenhuma editora se mostrou disponível para editá-la antes do Natal. “E eu sabia que isto era uma bela prenda, e barata, para oferecer a um benfiquista”, argumenta Coriolano, que mandou imprimir dez mil exemplares, para conseguir um preço mais reduzido para o leitor – o livro custa 9,90 euros.

“UMA COISA ESPANTOSA”, DIZ MARCELO REBELO DE SOUSA

Ainda não é possível contabilizar os exemplares vendidos, mas só no dia de apresentação foram várias centenas. E o livro convenceu, também, a crítica. O professor e comentador Marcelo Rebelo de Sousa já se referiu à obra, por duas vezes, na TVI e TVI 24, como sendo “uma coisa espantosa” e “única” – é possível encontrar os vídeos no YouTube através de uma procura com os termos “Glorioso” e “ Marcelo”. “Para a TVI enviei dois livros, um para a estação e outro para o professor Marcelo, acompanhado de uma carta em que dizia que, sendo eu um curioso, gostava de saber a opinião de um catedrático”, diz Coriolano.

A “epopeia” está dividida em cinco capítulos e rima os feitos de todos os presidentes e treinadores do clube. O autor elege Luís Filipe Vieira como o presidente “que merece maior destaque”, porque “tirou o Benfica de uma crise tremenda e recuperou o clube financeiramente e em termos desportivos”. Quanto a treinadores, sublinha os feitos de Otto Gloria (“preparou a equipa para o destino europeu”) e Béla Guttmann (“conseguiu duas vitórias consecutivas na Liga dos Campeões Europeus”), não esquecendo Jorge Jesus (“tem muito mérito pelo que fez na época passada e na presente, depois do desaire inicial”).

Mas o mais glorioso dos gloriosos é, segundo Coriolano, Cosme Damião, jogador, treinador e dirigente, que não quis ser presidente, e nunca deixou o clube morrer, apesar dos constantes ataques do poderoso rival verde e branco que, só numa época, comprou oito jogadores ao Benfica. “Foi ele quem levou o clube às costas no tempo em que quem mandava no futebol português, ou melhor, no futebol lisboeta, era o Sporting. A ele devemos o Benfica que hoje temos”. Um clube que, fundado no Restelo e radicado em Benfica, cedo ganhou uma dimensão nacional que ainda hoje perdura por fazer vergar a seus pés os ingleses do Carcavelos, o maior clube da altura, como sublinha o autor: “Durante muitos anos, o Carcavelos foi o campeão de Lisboa. Esteve nove anos sem perder, e só começou a perder quando apareceu o Benfica. E aí começou a fama do Benfica a estender-se por todo o país”.

Notícia publicada na edição 8 (série III) do Jornal de Barcelos no dia 23 de Fevereiro de 2011.

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