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DSC00098Por influência dos irmãos, começou aos 11 anos a completar cadernetas de cromos de futebol. Pedia “uma coroa” à avó e ia ao café da aldeia comprar os caramelos, que custavam na altura “meio tostão”, onde vinham embrulhados os “jogadores”, que eram depois colados “com farinha triga”.Carlos Pereira, de 47 anos, tem agora cerca de 150 cadernetas completas – algumas podem chegar aos três mil euros -, três mil galhardetes de clubes e dez mil postais de estádios. Apaixonado pelas suas origens, colecciona ainda postais sobre a lenda e o galo de Barcelos.

“Além de uma paixão, isto é uma doença”, diz, enquanto desfila vários autocolantes da década de 70. Lá estão Jorge Jesus a jogar pelo GD Riopele (Famalicão), Artur Jorge com as cores d’Os Belenenses, e um cromo especial do benfiquista Mário Wilson que valia uma bola de borracha – coisa rara na época. Mas logo aí a veia coleccionista falou mais alto… “Abdiquei do prémio para ficar com o cromo”. Aficionado pelas cadernetas, acabou ele próprio por criar uma na época 2007/2008, com todas as equipas dos vários escalões do Gil Vicente.

Natural de Vilar do Monte, Carlos Pereira fez parte de clubes de coleccionismo italianos e franceses, escreveu artigos em revistas da especialidade francesas e espanholas, organizou o I Encontro Nacional de Coleccionadores nos 120 anos dos Bombeiros de Barcelos, em 2003, fez exposições em nome próprio e fundou a Associação de Coleccionismo de Barcelos (ACOBAR), em 2005.

As cadernetas despertaram-lhe a paixão pelo futebol e jogou dos 16 aos 30 anos. Depois passou quatro anos de apito na boca e cartões na mão: “Embarquei pela arbitragem, mas vi que não era a minha paixão. Não me sentia bem, porque as pessoas reclamam sempre e acho que como treinador seria mais fácil para mim. Dou-me melhor como líder, a gerir comportamentos, do que a arbitrar”. Começou a orientar o GD Macieira de Rates, levou o Cristelo da III Divisão à Honra do campeonato distrital (“foi o ponto mais alto do meu currículo”), passou por vários outros clubes e actualmente treina os juvenis A do Gil Vicente. Foi ainda um dos fundadores da Associação de Futebol Popular de Barcelos, em 2000 – “é um dos meus orgulhos”.

O coleccionismo despertou-o para o futebol e as duas paixões foram-se alimentando mutuamente. “Comecei a jogar e depois interessei-me pelos galhardetes dos clubes. Ia jogar e pedia galhardetes às outras equipas e assim fui aumentando o espólio. Ora, como os clubes jogam em estádios, isso levou-me para esta paixão pelos postais de estádios”, explica o coleccionador, que é técnico auxiliar de sanidade animal da Cooperativa Agrícola de Barcelos e editou recentemente o livro “Banda Filarmónica de Vilar do Monte e o seu Mestre”. Fruto de mais uma paixão… “O meu avô incutiu-me uma grande paixão pelas bandas musicais e como havia um vazio de informações sobre a nossa banda de música, decidi meter as mãos à obra e deixar alguma coisa para os vindouros”, refere.

Criado desde os onze meses em Gilmonde, foi com 11 anos que voltou à sua terra natal, Vilar do Monte, onde ainda reside com a mulher, Maria Amélia, e os filhos, Micael e Joana. O mais velho já segue as pisadas do pai. Está a ganhar o “bichinho” pelo coleccionismo e é guarda-redes dos juniores do Águias de Alvelos.

Reportagem publicada na edição 6 (série III) do Jornal de Barcelos no dia 9 de Fevereiro de 2013. 

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