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Fotografia por Dario Silva

Ruben Oliveira tem no jardim da sua casa, em Fonte Coberta, uma linha de comboio de 60 metros onde passeia duas locomotivas a vapor em miniatura construídas por si. Desde a infância que a mecânica o fascina, mas só há sete anos é que pôde iniciar o hobbie.

“Isto é um sonho de há muitos anos que consegui realizar agora na idade adulta, porque para ter este tipo de hobbie é preciso tempo, dinheiro (para comprar peças e máquinas) e paciência”, diz.

Hoje, com 39 anos, tem um espólio de máquinas a vapor que inclui dois tractores, duas motas (uma delas ainda em construção) e as tais duas locomotivas, réplicas em tudo semelhantes às originais, excepto no tamanho, que é reduzido a uma escala de um por oito.

E como é que nasceu o fascínio por estas coisas? “Desde criança que sempre quis construir isto. Já está no meu sangue ser construtor de engenhocas. Desde pequeno que fazia diversas coisas e o que mais me impressionava eram os motores a vapor, a forma como funcionavam aqueles mecanismos”, recorda Ruben Oliveira.

Tirou um curso de manutenção mecânica, naquela que agora se chama Escola Secundária Alcaides Faria, que o “ajudou muito” quer no hobbie quer na vida profissional – tem uma empresa de energias renováveis e climatização.

Quase todo o tempo livre é passado na oficina na garagem de casa a preparar a próxima “engenhoca”. Todas as peças – excepção feita para os manómetros, no caso das locomotivas – são feitas pelo próprio. “Fazer tudo por mim é o que mais me fascina. Tem a parte da investigação – porque ninguém nasce ensinado – e procuro na net, leio livros, enciclopédias… Depois, faço da minha oficina um laboratório. A maior parte das coisas é por tentativa/erro. Aperfeiçoo as coisas assim, ninguém me diz como fazer. Sou um solitário”.

Até pode existir “uma ou outra pessoa”, mas Ruben Oliveira não conhece mais quem, como ele, se dedique à construção de máquinas a vapor. E sente pena por isso, porque “era mais fácil para trocar ideias” e partilhar experiências.

Aliás, mostrar ao mundo as suas construções é o seu maior desejo. Num terreno que possui em Espinho está a construir uma linha de 300 metros. A ideia é que “toda a gente que quiser” possa experimentar a sensação de andar numa locomotiva a vapor, e tudo isto “sem fins lucrativos”. Já fez algumas demonstrações públicas que correram bem e lança o apelo às autarquias: “Por que não montar isto num parque público? Eu quero partilhar isto com os demais, não gostava que ficasse só entre quatro paredes”.

LOCOMOTIVA EM MINIATURA PODE CHEGAR AOS 20 MIL EUROS

As propostas vão surgindo dentro e fora do concelho: Macieira de Rates, Ponte de Lima e Óbidos foi de onde vieram alguns contactos. “Mas gostava que fosse na minha terra. Em todos os vídeos que meto no YouTube faço questão de pôr ‘Fonte Coberta, Barcelos’. Friso isso bem”. Além dos vídeos no You Tube, tem um sítio na internet (almeidasus.com.sapo.pt) com fotos das suas obras.

Através da world wide web, do boca a boca e de algumas reportagens que têm vindo a lume em órgãos de comunicação social nacionais, o interesse em torno das máquinas a vapor de Ruben Oliveira vai gradualmente aumentando e até já surgiram encomendas. Recusadas por falta de tempo. Só não pôde dizer não ao último pedido, feito que foi por “mais do que um cliente, um amigo”. Já está a trabalhar na nova locomotiva que “vai demorar para aí dois anos a fazer” e cujo orçamento ronda os 20 mil euros. Sim, é um hobbie caro. Até, por isso, Ruben Oliveira já pensou em produzir “em série” para vender. “É preciso as pessoas quererem”, diz.

Enquanto mostra ao JB a oficina, com os olhos a brilhar de orgulho, dispara: “Tenho a cabeça sempre a mil à hora”. Sempre a pensar no próximo projecto. O último foi “um carro de combustão interna a funcionar a lenha”. Até comprou um “Renault velho” e já o pôs a trabalhar. “Posso adaptar esse mecanismo a qualquer carro ou mota. Só gasto lenha e é um motor de combustão interna na mesma”.

Na óptica de Ruben Oliveira, que trabalha de perto com as questões das energias alternativas e por isso tem uma palavra a dizer sobre o assunto, ainda pode ser que a humanidade volte a usar a força do vapor. “Os combustíveis fósseis são poluentes e estão a aumentar de preço, as locomotivas a vapor podem trabalhar a lenha, que é uma energia renovável. É auto-sustentável, polui mil vezes menos que os fósseis, por isso, quem sabe se não vamos voltar ao passado”, vaticina.

Passado, esse, pelo qual esta paixão lhe suscitou interesse: “Gosto mais das coisas antigas do que das modernas, apesar de estar a par de todas”. É, portanto, um homem que se interessa por diversas áreas. Outra é o aeromodelismo. “Sou aficionado por aviões telecomandados”, revela. Na oficina tem um exemplar pendurado no tecto e só não construiu nenhum porque ainda não tem as máquinas necessárias para tal.

Até lá, mantém-se a todo o vapor na linha de sete polegadas e meio de bitola na qual se deixa levar por um sonho de infância.

Notícia publicada na edição 37 (série III) do Jornal de Barcelos no dia 14 de Setembro de 2011.

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