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DSC00834Os Shamans of Rock formaram-se em 2005 com elementos de Rendimento Mínimo e Karandiru, praticando desde logo um pujante hard-rock herdeiro da década de 70. Depois da maqueta gravada em 2007, Ricardo Reis (guitarra e voz), Bruno Leite (guitarra e voz) e Óscar Sousa (bateria) lançaram este ano o álbum de estreia, “Dive Into The Fireball”, que contou com a participação do guitarrista italiano Stefano Ferrari. Agora, de volta ao formato power trio, o rock’n roll não pára. “Siga para a frente!”.

Contem-nos resumidamente como começaram os Shamans of Rock.

Bruno Leite: Começámos numa altura em que eu tocava nos Karandiru e o Ricardo tinha saído dos Rendimento Mínimo há pouco tempo. Começámos a dar uns toques para curtir, depois investimos mais no grupo. Com o Óscar, que também estava nos Rendimento Mínimo, continuámos a tocar até hoje.

Desde o primeiro concerto, em 2006, até à edição do “Dive Into The Fireball”, levaram cinco anos. Porquê este tempo todo de espera?

Ricardo Reis: Houve vários aspectos… Queríamos introduzir mais um elemento na banda. Procurámos vários guitarristas e nunca conseguimos ninguém fixo, ou porque as pessoas não tinham disponibilidade, ou porque não havia aquela química entre todos, e as coisas foram-se prolongado até há pouco tempo.

Que foi quando encontraram o Stefano Ferrari, que gravou o álbum convosco. Ele surge no grupo por intermédio do Bruno, não é?

BL: Sim, conheci-o no Porto. Tocávamos juntos nos Barrabaz Blues Band. Não era nada sério, mas ainda chegámos a dar alguns concertos. O Stefano é italiano e esteve cá um ano a estudar através do programa Erasmus. Um dia, disse-lhe: vamos ali a Barcelos, à terra do rock’n roll, dar uns toques. Quando ele chegou cá, adorou e encontrou aquilo que queria fazer. Hoje em dia até vem de Itália para tocar connosco, porque gosta de tocar nos Shamans of Rock, gosta de Portugal e gosta de Barcelos.

Mas o Stefano já não faz parte da banda…

RR: Ele está em Itália. Teve que voltar para o país dele e nós tivemos que ficar outra vez os três. Mas não é nada que não se resolva. Continuamos os três e siga para a frente!

Vocês gravaram com o José Arantes [já trabalhou com Green Machine, peixe:avião, entre outros]. Como correu o processo de gravação?

RR: Foi porreiro. Como a gente já o conhecia, tornou as coisas muito mais fáceis a nível de expores as ideias, para ambas as partes.

Lançaram o disco em edição de autor por opção?

RR: Nem sequer andámos à procura de quem o editasse…

E a distribuição como é que está a ser feita?

BL: Para já, temos os discos à venda na Louie Louie, no Porto, e no café do Tio Álvaro, em Barcelos. Mas, entretanto, vamos colocá-los em mais lojas.

“NÃO TEMOS A OBRIGATORIEDADE DE CANTAR EM PORTUGUÊS OU EM INGLÊS, É O QUE SURGIR”

Já têm tido feedback?

BL: Sim, temos recebido algumas críticas, e até agora foram boas. Se bem que ainda não distribuímos bem os discos, quando o tivermos feito poderemos ter uma percepção melhor da reacção das pessoas.

Têm concertos marcados para promover o álbum?

RR: Vamos começar entretanto a marcar concertos. Temos que ver de todos, por causa da vida pessoal e profissional de cada um, e a partir daí vamos começar a marcar datas.

O vosso som é bastante influenciado pelas bandas dos anos 70, como Led Zeppelin, AC/DC, Deep Purple, etc… O rótulo de hard-rock retro ou revisionista incomoda-vos?

Óscar Sousa: Não me incomoda, mas as coisas não podem ser só marcadas dessa forma, porque, apesar de soarmos muito a hard-rock, não somos só hard rock e tocámos muita outra coisa.

RR: Sentes o blues também, mas claro que o hard-rock foi buscar esses campos do blues e do rock… Sinceramente, não me incomoda, mas também não me diz nada. Eu gosto de música, não me interessam os géneros. Desde que a melodia me entre na cabeça e me mexa com o sistema nervoso, é o que interessa.

Em Barcelos já se sabe que há muitas bandas, mas está agora a surgir uma nova vaga de grupos com pessoal bastante novo, e alguns deles, como os The BrainScape, reclamam a influência de Shamans of Rock. Isso deixa-vos orgulhosos?

BL: Claro que sim, é bom. Eu também sempre tive influência das bandas de Barcelos, inevitavelmente. Se calhar, se não as tivesse é que era anormal. Se nasci numa cidade onde existe música tenho que aproveitar o que há. Seja música ou outra arte.

OS: Claro que é sempre bom sermos reconhecidos por outros. Se as pessoas gostarem daquilo que fazes, é sinal de que não é feito ao acaso.

Vocês já tinham a “Rock’n Roll”, que gravaram na maqueta de 2007, cantada em português, e agora introduziram no álbum uma outra canção – “Homem Vai” – na nossa língua. Essa tendência para cantar em português pensam segui-la mais vezes? 

RR: Não há nenhum obstáculo em cantar em português. Por norma, as coisas fluem naturalmente. Trabalha-se um tema e instintivamente vem alguma coisa à cabeça. Não temos a obrigatoriedade de cantar em português ou em inglês, é o que surgir.

OS: Eu, pessoalmente, prefiro o português. Acho que devemos usar a nossa língua. Se estás a tocar e queres transmitir uma mensagem, é na tua língua que o deves fazer. Mas é a minha ideia, não quer dizer que não goste de tocar canções em inglês. Mais importante do que a língua que usas é que o que fazes te soe bem. Agora, claro que é muito mais fácil fazer uma letra em inglês do que em português, porque podes dizer merda para a frente e aquilo sai sempre bem.

Entrevista publicada na edição #2 do jornal Rock Rola em Barcelos de Outubro de 2011.

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