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classified (1)faceMuito mais do que uma banda, os Classified são um grupo de amigos de longa data que se mantém unido como os dedos da mão há 13 anos. Marco Vale (voz e guitarra), Rui Lima (guitarra), Miguel Martins (baixo) e Rui Rodrigues (bateria) são os elementos da primeira e única formação do grupo – um line-up sem alterações por mais de uma década é obra! Depois da maqueta “Loud N Angry”, em 2007, o quarteto hard-rock lançou este ano, no simbólico dia 13 de Maio, “Dead Man’s Hand”. Há muito esperado, o disco de estreia serviu de âncora para uma conversa com os músicos na sala de ensaios que carinhosamente apelidam de “Zip”.

Os Classified têm treze anos de carreira e sempre com a mesma formação. Como é que ainda se aturam?

Miguel Martins (MM): Somos todos amigos. Antes de sermos uma banda, somos amigos.

Marco Vale (MV): E com este tempo todo o que havia para saturar já passou. Já estamos habituados às tripes de cada um e chega a um ponto em que um gajo já não liga. O Russo [Rui Rodrigues] stressa com os preparativos para concertos; eu stresso com os concertos em si, se correm bem ou se correm mal; o Vola [Miguel Martins] stressa por ver os outros a stressarem; o Palheiro [Rui Lima] não stressa por nada.

Vocês são da mesma freguesia [Perelhal] e cresceram juntos. O que é que vos une mais, a música ou a amizade?

MV: Felizmente a música que cada um de nós ouve não é muito distinta, gostamos mais ou menos das mesmas coisas e, por isso, musicalmente, não temos qualquer tipo de conflito. O que nos mantém unidos é a amizade e o hábito: agora estamos casados uns com os outros.

MM: Exactamente. É um casamento a quatro.

Por falar em casamento, vocês já estão todos na casa dos 30, já têm família, empregos e essas responsabilidades todas que não tinham quando começaram. E, talvez por isso, a vossa carreira foi sendo pautada por alguns hiatos. É difícil conciliar a vida pessoal e profissional com as lides musicais?

Rui Rodrigues (RR): A música é o lado B da nossa vida. O que ocupa a nossa vida é o trabalho e a família, e isto é o nosso lado B. Stressamos com o trabalho, temos a responsabilidade de gerir uma família, e isto é a cena que nos dá liberdade para fazermos o que nos apetece.

Vocês catalogavam o vosso som de “rock badalhoco” ou “música zangada”, porquê?

MM: Porque era badalhoco, basicamente (risos).

MV: Custa-me admitir, mas nunca tivemos uma altura de grande projecção, assim como outras bandas que vão tocar a montes de sítios, porque no início era naquela onda de juntar os amigos e tocar umas merdas, não pensávamos muito em trabalhar as músicas e fazer uma cena super elaborada. Tocávamos música muito simplificada e nunca puxávamos muito pela vertente técnica nem pela parte criativa…

MM: E mesmo ao nível de material, quando começámos, era um valha-me Deus. Daí que o som fosse sempre um bocado reles.

MV: “Rock badalhoco” foi um termo de piada e “música zangada” foi uma boca que um amigo nosso nos mandou e, por acaso, também me lembrava de ter visto um episódio de South Park em que eles usaram exactamente o mesmo termo. Estavam uns hippies a ouvir metal e diziam: “wow, this music is so angry”. Achávamos piada e brincávamos um bocado com isso.

Com “Dead Man’s Hand” deixam cair esse rótulo de vez? Já é um registo mais sério e trabalhado…

MV: Se reparares, as músicas são mais elaboradas, somos um bocado mais críticos nesse sentido. Também tocamos melhor, o que nos permite fazer melodias mais elaboradas e coisas assim. Antes não fazes, porque não consegues, agora, como disse o Phil Mendrix na crítica ao disco, somos músicos competentes, mas sem exuberâncias.

“Dead Man’s Hand” acaba por ser o reflexo de 13 anos de trabalho. Vocês ouvem o disco sentem que ele reflecte o que vocês são?

MV: Mesmo agora havia coisas que eu gostava de ter gravado de outra forma. Havia uma série de coisas que queríamos acrescentar no CD, por exemplo, pôr uma linha de órgão na “1000 MPH” e uns acrescentos aqui e ali, mas a gravação foi um processo tão moroso e complicado – estivemos entre ano e meio a dois anos a gravar – que chegou a um ponto que só queríamos acabar o disco.

MM: Eu não consigo distanciar-me suficientemente das nossas músicas para ter um olhar crítico e frio.

RR: Eu não fiquei totalmente satisfeito com o trabalho final, mas isso é bom porque me dá pica para fazer o próximo e saber que, de certeza, vai ser ainda melhor. Pelo menos já sabemos o que não vamos fazer, evitar erros que cometemos.

MV: Acabámos este disco a pensar no próximo. Quando terminámos, já tínhamos cinco músicas novas.

Há, contudo, uma grande evolução em relação à maqueta “Loud N Angry” (2007). O que acham que mudou mais?

MV: O que muda é que já ouvimos bastante o “Loud N Angry”. Quase de certeza que daqui a dois anos, quando a gente se fartar de ouvir este, vamos achar que podia ser mais elaborado. No “Loud N Angry”, as músicas eram repetitivas em termos de composição. Era um problema de composição, porque as músicas continuam a assentar no mesmo: riffs, melodias à base de riffs, as guitarras são quase sempre o elemento que constrói as músicas. Não temos nenhuma canção que parta de uma letra, por exemplo. Procuramos sempre um riff que achemos piada, que seja orelhudo, e quase todos os temas têm um riff base que consegues cantarolar. Isso funciona a nosso favor, é fácil para o pessoal reconhecer as músicas, porque as melodias são características. Mas não é como se isso fosse a grande diferença, a maior diferença é mesmo o sentido crítico que temos, já não ficamos satisfeitos com qualquer coisa.

MM: As músicas são mais trabalhadas.

Já apresentaram o álbum ao vivo e, entretanto, têm mais concertos marcados. É no palco que os Classified respiram melhor? É o habitat natural da banda?

MM: É, definitivamente. Acho que não nos damos bem em estúdio, não sei porquê. As nossas gravações são sempre stressantes, parece que custa. E até percebo, porque exige esforço, é preciso tocar uma vez, tocar outra, agora grava as vozes, depois faz não sei quê… Tudo isso cria um ambiente um bocado pesado, ao passo que em palco estás à vontade. Tocas e sai como estiver a sair. É completamente diferente.

MV: Uma coisa que o José Arantes [que gravou o disco] nos disse quando estávamos a gravar – e nós gravámos o CD na totalidade três vezes, antes de ficarmos contentes com uma das versões – é que nós só sabíamos tocar juntos, em live studio. E é isso que queremos fazer para o próximo, tocar toda a gente ao mesmo tempo. Numa banda de rock perde-se a dinâmica e a força quando se está a tocar com metrónomo.

Entrevista publicada na edição #4 do jornal Rock Rola em Barcelos em Julho de 2012.

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