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Créditos: Eduardo Morgado

Já foi jornalista, é professor, treinador de futebol, escritor e mais recentemente deputado na Assembleia Municipal. José Ilídio Torres abriu-nos as portas da Casa do Canavial, na pacata localidade de Esqueiros, em Vila Verde, onde vive há 11 anos. Falámos da política, da escrita, da docência. Para ele está tudo ligado. Nesta entrevista o escritor mostra-se um livro aberto, sem subterfúgios. Mesmo no plano mais pessoal, fala com a franqueza e o à-vontade que só estão ao alcance de quem está de bem com a vida. E consigo próprio.

Começávamos por falar desta casa…

É um lugar inspirador para aquilo que faço enquanto escritor. É uma cansa antiga do séc. XIX que foi recuperada. É um sítio que adoro. Inseri-me muito bem na comunidade, até pertenço a uma Associação, a Associação Domingos de Oliveira Lopes, da freguesia vizinha de Barbudo, que acabou de instalar o museu do brinquedo e da brincadeira numa antiga escola primária que recuperámos. É mais um filho a que me dediquei enquanto pessoa multifacetada que acho que sou. Não consigo estar quieto.

Quando marcámos a entrevista, disse logo para ser nesta casa que é onde se sente mais à-vontade, a jardinar…

Faz parte dos meus hobbies, embora cada vez tenha menos tempo, gostava de ter bastante mais. É mais ao fim-de-semana. Ao sábado de manhã ainda tenha treinos de futebol, mas depois do almoço começo a dedicar-me à jardinagem. Já tenho ali os adubos e os substratos para plantar uma série de plantas. É muito tranquilizador e liberta-me do stress profissional. Os meus dias começam às 7h30, 8h00 e acabam às 20h30, 21h00. Depois aproveito os fins-de-semana e as férias. Há muitos anos que não vou de férias porque dedico-as à casa. Tem uma área grande, 2.000m2, e obriga a um constante trabalho de manutenção. E eu falho porque tenho pouco tempo.

E de há uns meses para cá ainda ficou com menos tempo porque assumiu a função de deputado municipal pelo Bloco de Esquerda (BE). Como surgiu o convite e o que o levou a aceitá-lo?

De há uns anos para cá senti um apelo forte em participar na vida política. Tenho 47 anos e diria que ao longo de 40 andei afastado dela. Esta entrada acabou por acontecer de forma muito natural. Desde sempre que me sinto um homem de esquerda, à esquerda do PS, e quando o José Maria Cardoso concorreu à Câmara fez-me o convite para ser mandatário da lista. Fiquei bastante honrado com o convite e aceitei. Foi aí que começou a aproximação. Depois aconteceu tudo de uma forma natural e nada expectável. O José Maria andava a fazer a lista para a Assembleia Municipal e perguntou-me se estaria interessado em ocupar um lugar que à partida não seria elegível e eu aceitei. Entretanto, fui participando em actividades do BE, mas sempre na qualidade de independente – entretanto filiei-me. Por uma questão ou outra, criou-se um vazio, uns não podiam por compromissos profissionais, outros não queriam e acabou por chegar ao meu lugar, que já não me recordo se era quinto ou sexto. O José Maria já me tinha avisado de que havia essa possibilidade e depois ligou-me o presidente da Assembleia Municipal. Pedi 24 horas para pensar, mas nas horas seguintes tomei a decisão. Apesar de estar afastado, nunca cortei o cordão umbilical com a cidade. Achei que era a altura certa para participar na vida política de Barcelos, de passar para um plano mais interventivo. E acho que não me tenho saído mal de todo.

Como é a experiência da Assembleia para alguém que nunca tinha estado ligado à política? É tudo novo?

De alguma forma, não, porque trabalhei alguns anos em jornalismo. Era colaborador do Barcelos Popular, trabalhei na Rádio Cávado e no Notícias de Barcelos e terminei a carreira de jornalista no Primeiro de Janeiro. Portanto, já estava habituado a assistir às assembleias municipais. Eram outros tempos, os primeiros mandatos do Fernando Reis. Hoje estou muito mais experiente do que em Novembro, quando fui à primeira sessão, mas é natural porque entretanto também começas a aperceber-te de quais são os problemas, as questões mais prementes. E, nesse aspecto, tenho contado com uma equipa do BE, dinâmica e trabalhadora, que me apoia bastante por forma a chegar às assembleias bem informado sobre os assuntos que vou abordar.

“NÃO ME TEM APETECIDO ESCREVER”

Como homem de esquerda, antes do BE, nunca esteve ligado a outro partido, ao PCP, por exemplo?

Não, por acaso não. E não me recordo se alguma vez votei CDU. Lembro-me que numa altura votei no maestro Vitorino de Almeida para as Europeias [1989, pelo MPD/CDE]. E recordo-me de ficar impressionado com a Maria de Lourdes Pintasilgo, aquela mulher, aquele discurso… Andava no Liceu de Barcelinhos [hoje Escola Secundária de Barcelos] que foi um local muito importante para mim e para várias gerações de barcelenses, principalmente a dos anos 80. O 25 de Abril já tinha ficado para trás e havia ali todo um espaço de liberdade, uma participação de todos os estudantes na vida da escola. Penso que fui eleito dois anos seguidos como representante dos alunos no conselho directivo. Participei sempre numa revista que ainda hoje se publica, a Amanhecer, e foi aí que comecei a crescer enquanto escritor. A primeira vez que publiquei na revista devia ter 14 anos. Poemas e pequenas prosas. Havia uma dinâmica de cooperação entre alunos e professores. Sentíamos aquele liceu como um espaço de liberdade e compromisso. Tínhamos uma rádio escolar, algo perfeitamente inovador para a altura. O Liceu de Barcelinhos funcionou para mim e para a minha geração como uma escola para a participação cívica, de luta por causas, por ideais que achássemos correctos. Sou muito agradecido a essas pessoas. Foi lá que conheci uma pessoa muito importante para mim, ainda hoje somos muito amigos, o professor Luís Manuel Cunha. É uma referência para mim. Na altura, ele era conhecido como o professor que dava as fracas notas. Era super exigente mas as aulas dele eram deliciosas e mesmo aqueles nunca conseguiram fazer a disciplina de Português com ele estou convencido de que lhe apreciavam não só o carácter como aquele ar bem-humorado e aquela liberdade que ele transmite quer na linguagem, quer no pensamento. Um homem livre. Ainda hoje o é. As crónicas dele são absolutamente deliciosas. Por acaso, não com uma nota muito famosa, mas consegui fazer a disciplina.

Quanto é que tirou?

Penso que foi 13.

Com ele era bom…

Um 13 com ele era uma excelente nota. (…) Sou professor e sei a importância que um professor tem. Um professor pode marcar um aluno. Já sou professor há 15 anos. Neste trajecto, tenho a certeza que já marquei mais de um aluno de forma positiva. Quando isso acontece sente-se um gosto especial por um dia se ter tomado a decisão de ensinar.

Como é o José Ilídio como professor?

Actualmente estou no ensino primário, não é bem a minha vocação. Tirei o curso de professor de ensino básico, mas a minha especialização é Educação Física. Trabalhei nove ou dez anos dando aulas no 2.º ciclo como professor de Educação Física. De há uns cinco, seis anos para cá – continuo contratado com 15 anos de trabalho, sou mais um à espera de ingressar nos quadros – tenho estado no 1.º ciclo porque acaba por ser o nível de ensino em que consigo colocação. Achei que estava talhado para trabalhar com alunos mais velhos, mas entretanto fui parar ao 1.º ciclo, do qual fugia sempre, estigmatizado pelo facto de ter pais que eram professores primários. Mas é curioso que às vezes estamos a ir na direcção da qual queremos fugir.

O seu pai, Ilídio Torres, foi especialmente importante no rumo que seguiu?

Foi. Entrei muito novo na universidade, com 17 ou 18 anos, frequentei os cursos de Direito e Arqueologia e nem um nem outro terminei, depois andei, como disse, uns anos no jornalismo. Casei também muito cedo e quando me separei dessa pessoa, que ainda hoje é uma amiga muito querida, entendi que era altura de recomeçar do zero. Estive sempre ligado ao desporto, joguei no Gil Vicente, joguei basquetebol, ténis de mesa… E achei, muito incentivado pelo meu pai, que era uma nova oportunidade. Tirei o curso com muita facilidade, porque já tinha outra experiência de vida, e acabei por ingressar na profissão. Foi por essa altura que também comecei a treinar futebol. Trabalhei vários anos na Escola de Futebol Bragafut. Este ano estou a treinar no Vilaverdense miúdos com quatro anos, os minis, e no SC Braga, os traquinas.

Treinador, escritor, professor… qual destas actividades mais o completa?

Coabito bem com todas. São coisas diferentes mas que têm ligação entre si. Na Madeira ganhámos um torneio e à noite os miúdos estavam a festejar e eu isolei-me. Fui para o computador e escrevi um poema para cada miúdo. Tenho uma história que se chama “Pedro, o grande futebolista”. A experiência de treinador entra nos livros e a de professor está sempre presente. As coisas interligam-se, não são zonas estanques. No outro dia, fui dar aulas de manhã, saí a correr para dizer uns poemas no Instituto de Línguas da Universidade do Minho, entretanto lá queriam que eu tomasse um café e comesse um bolo, aguentei até ao limite, fui a correr para o carro e, ainda no parque de estacionamento, mudei de roupa – como o Super-Homem na cabine telefónica. Cheguei ao treino em cima da hora, não gosto de me atrasar. Acabei o treino, vim a correr para casa, troquei de roupa e fui para a Assembleia Municipal. Já me aconteceu ir para as reuniões do partido equipado à Braga, mais do que uma vez.

E quanto à escrita?

Tenho muita coisa escrita que podia publicar e não publico. Tenho mais de uma centena de poemas. Tinha um projecto com um grande amigo, o Jorge Manuel Palha, meu revisor de texto e excelente fotógrafo, de fazer um livro chamado 31, em que eu seleccionava 31 poemas e ele 31 fotos. As editoras disseram que com as fotografias a cores ia ficar muito caro. Temos esse projecto em stand by, mas é a única coisa que tenho vontade de publicar, por ser com ele, porque estou numa fase de descanso sabático.

Porquê?

Por nada em especial, não me tem apetecido escrever. Corri dezenas de escolas em vários concelhos nos últimos dois anos e acaba por ser muito cansativo. Chego a casa, vivo sozinho, e às vezes entro aqui cansado não só fisicamente, também emocionalmente. Mas também rapidamente me animo.

“SOU EXTEMPORÂNEO, PARTO A LOIÇA TODA”

É do cansaço então?

É vontade de estar quieto. No Facebook passo a vida a escrever, pequenas mensagens, textos, um poema ou outro, escrevo os meus textos para Assembleia e para o BE. Há dias fiz a letra para o hino da escola em que trabalho. Quando estou motivado, as coisas saem-me com muita fluência. Às vezes, penso que demorei quinze minutos e demorei duas horas. Entro numa espécie de transe, alheio-me de tudo. E sou capaz de o fazer nos sítios mais barulhentos, de estar num café rodeado de barulho e encontrar-me num silêncio absoluto. Quando dou por ela peço uma cerveja, duas, fumo imenso. Quando estou a escrever, acendo uns cigarros atrás dos outros. Parece que o tempo pára quando estou a escrever. Às vezes, a minha ex-mulher – com quem me dou bem, dou-me bem com as duas ex-mulheres – estava eu a escrever e ela dizia-me: “Anda almoçar, pá, são cinco da tarde”. Não sentia passar o tempo… Gosto muito de escrever contos, porque são histórias curtas. Nunca escrevi um conto que deixasse para o dia seguinte a conclusão. Quando escrevi o romance, “Diário de Maria Cura”, foi um bocado complicado. Parti para o romance a fazer cada capítulo como se fosse um conto. (…) Desafio-me constantemente.

E o romance é o desafio maior?

É. E saiu-me muito bem. Saiu tão bem que fiquei por ali. (…) Sou muito de correr riscos na escrita e na vida. Tenho às vezes a noção de que vivo num fio de arame, posso cair para um lado ou para o outro. E já me tem acontecido de cair, mesmo na minha vida pessoal. Mas nunca é o fim de nada, é o começo de alguma coisa.

Era um jovem rebelde?

Um pouco. Tenho um irmão que é escultor, Pedro Silva Torres, faz 17 anos de diferença de mim, por isso fui praticamente filho único. Até entrar para a faculdade reconheço que dei algumas chatices aos meus pais. Pisava sempre o risco. Se o meu pai me dizia, ao sábado, sais até uma, eu vinha às três. Ele ficava maluco. Fiz algumas asneirolas, dei alguns passos errados, mas não me arrependo de nada, fez parte do meu crescimento. Cresci, mudei de rumo, defini objectivos para a minha vida. Tenho aprendido a dominar-me, a não ser tão extemporâneo. Em determinadas situações de conflito reajo a partir a loiça toda.

Isso melhorou com a idade?

Vem atenuando. Mas sempre que tomei atitudes radicais, de cortar com alguma coisa, parti sempre para situação mais favorável. Escrevi um livro para a Câmara de Barcelos, “A Lenda das Cruzes”. O trabalho foi-me pago mas não me foi dita toda a história do livro, que foi escrito por mim e ilustrado pelo Carlos Basto. Certo é que o livro esgotou e a Câmara não lançou mais nenhuma edição. Houve pessoas que me disseram que a Câmara achava que eu ia pedir direitos de autor sobre novas edições, nunca tal me tinha passado pela cabeça. Depois ainda me vi envolvido numa série de questões para as quais não contribuí minimamente. Sempre tinha apresentado os meus livros – e já são dez – em Barcelos e “A Lenda das Cruzes” marcou um ponto de ruptura com a Câmara. Parti a loiça toda. “Nunca mais apresento livros em Barcelos, não quero saber da Câmara para nada”. Estive três ou quatro anos sem ir à Biblioteca. Um dia o Victor Pinho ligou: “É altura de acabar com estar zanga”. Dei muito valor a isso. Fui então à Biblioteca apresentar a “Beatriz e o espelho mágico” e foi uma apresentação fabulosa, com a sala cheíssima, vendi imensos livros. Não sou de guardar rancores. Parto a loiça toda mas depois passa-me e sou capaz de pedir desculpa, há pessoas que têm dificuldades em fazer isso. Sou um bocado extemporâneo, mas tenho alma de artista. Se não fosse assim, não era criador.

Qual a sua apreciação da Câmara, quer como deputado, quer como cidadão barcelense que viveu os tempos do Fernando Reis?

Esta Câmara marca uma diferença clara para todos em relação aos 30 anos em que o Reis lá esteve, em todos os aspectos. No tempo do Reis, o que é que se fazia em termos culturais? A Câmara nunca achou que a cultura fosse importante, quando é fundamental para as sociedades evoluírem, para haver espírito crítico. Com o PS este cenário alterou-se completamente, mas continuo a achar, e será motivo de uma próxima intervenção na Assembleia, que não há uma verdadeira política cultural. Há muitas exposições, muita oferta musical, quem quiser em Barcelos tem sempre um programa para fazer, mas falha a educação das pessoas para o fenómeno cultural, que acaba por ser muito minoritário. Embora em algumas coisas estejamos na linha da frente, sobretudo a nível musical. Quanto à Câmara, acho que é notório, embora não seja a minha cor política, que houve uma mudança significativa do tempo do Fernando Reis para o do Costa Gomes. Há muitas coisas que não estão bem e têm de ser melhoradas mas, se me perguntar, prefiro cem vezes este tempo ao do Fernando Reis, em que a Câmara servia, muitas vezes, interesses pessoais. Acho que há outra forma de comunicar, de fazer política na cidade e o BE e eu não temos pejo nenhum…

Sempre fez questão de dizer que apoiará o que for bem feito e criticará o que for mal feito.

Sem qualquer tipo de preconceito! A Câmara tem feito coisas muito interessantes até. Nós valorizamos muito, e até o dissemos várias vezes, as peças do figurado que a Câmara espalhou pela cidade. Mas depois, e ainda no outro dia tivemos uma reunião em que o dissemos ao Costa Gomes, estragaram tudo com os livros. Ultimamente, tem-me preocupado a linha de muito alta tensão. Há duas semanas questionei o presidente por e-mail, devia-me responder e ainda não respondeu. Há uma espécie de secretismo que não se justifica. Em Vila Verde é igual. Só que aqui em Vila Verde a Câmara é PSD e em Barcelos é PS. No outro dia esteve aí o deputado do PS, Manuel Mota, e criticou Câmara de Vila Verde por um certo secretismo mas não critica a Câmara do seu partido por fazer a mesma coisa em Barcelos. E tenho muitas dúvidas de que isto sirva os interesses das populações. Acho que a linha é uma inevitabilidade, mas há certamente a possibilidade de influenciar a decisão de por onde vai passar. A linha não pode passar pelo meio de um polo habitacional… É uma coisa monstruosa, os postes têm cem metros de altura, cada sapata são 200m2.

“CÂMARA NÃO DISPONIBILIZA INFORMAÇÃO” SOBRE LINHA DE MUITO ALTA TENSÃO

Será o próximo cavalo de batalha do BE?

Temos muita dificuldade em chegar aos dados sobre isto. Há tão pouca informação, a própria Câmara diz muito pouco. No outro dia percebemos que a linha estava suspensa em Espanha, através de um jornal espanhol. E eu não sei se as pessoas que estão em lugares de decisão sabem destas coisas e depois não informam.

A Câmara está a esconder informação?

O Costa Gomes pediu claramente aos líderes partidários que não se fizesse política com isto, que tivéssemos paciência. Chegámos a ir, alguns dos líderes partidários e ele, falar com o secretário de Estado. O presidente da Câmara diz para não haver alarme social, mas acho que há mais alarme social se de repente, quando deram por ela, as pessoas tiverem camiões a passarem nas suas propriedades, ou terrenos a serem expropriados e perceberem que vão ter os postes perto de casa. Aí é que vai ser um problema. O caso saiu um pouco para os jornais, sabe-se que vai haver uma linha de muito alta tensão, mas vai passar onde? Eu não tenho mapas, a REN não os fornece, a Câmara não disponibiliza informação, andamos todos aqui às aranhas. Era preciso passar as informações à população. Houve um primeiro entendimento entre os partidos para isto ser apolítico, a nenhum partido interessa criar ondas com isto. Eu e o BE não gostávamos de ver os partidos a fazer política com este caso. O BE não o vai fazer mas vai estar sempre vigilante e tentar tudo o que estiver ao seu alcance para que não tenha o impacto que se prevê.

Qual a sua impressão do Costa Gomes?

É uma pessoa com um estilo muito próprio. A oposição às vezes fica um bocado beliscada porque acha que ele nas suas intervenções afronta, é mal-educado. À beira de alguns políticos que ali andam, com anos e anos de traquejo, eu sou um menino, e são essas velhas raposas da política que constantemente criticam o presidente por lhes responder de forma mal-educada, e isto e aquilo. O homem tem carisma, é notório, tem experiência pública, traquejo e um estilo muito próprio. Mas também já o vi descer dessa pele mais arrogante, como alguns dizem, e ser uma pessoa amável, simpática no convívio social. (…) Já me deu algumas respostas engraçadas, a que achei piada, e acho piada ao estilo dele, não me belisca em nada. No outro dia ele ficou chateado comigo por eu ter trazido o assunto da linha à assembleia. Achou que quebrei um pacto que fizemos. Mas fomos a Lisboa há mês e meio, nunca mais me deram informação nenhuma, eu solicito e ela não me é dada, tive que levar o assunto à Assembleia. Quero ter informação e, como deputado, uma das minhas funções é fiscalizar a actividade da Câmara. Estou no meu direito. Há mais de 15 dias que escrevi a perguntar umas coisas sobre a linha e até hoje não me respondeu.

Em 2017 vamos ter o José Ilídio como cabeça de lista à Assembleia?

Não sei, é muito cedo. Estou a ganhar experiência. Gosto das pessoas que estão comigo neste projecto, trabalhamos muito em conjunto. Sinto que tenho feito um trabalho positivo, os colegas têm-me dado esse feedback e alento para continuar. Enquanto me sentir bem, continuo. Quando não me sentir apoiado ou não estiver motivado, encaro outro projecto qualquer e sigo em frente. É muito cedo para falar nesse tipo de cenários. Mas estou a gostar, sinto-me motivado, sinto-me atraído e acho que se pode fazer política de uma maneira diferente, que não seja só o bota-abaixo e seja também construtiva. Tem sido essa a minha tónica das minhas intervenções na Assembleia.

Entrevista publicada na edição de 27 de Maio de 2015 do Jornal de Barcelos.

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